No podcast Moqueca de Política, Tami Brito revela os bastidores da criação de conteúdo em campanhas e os desafios de transformar vaidade em estratégia
No episódio “Os Desafios na Produção de Conteúdo Político” do podcast Moqueca de Política, Gilson e Yuri Almeida recebem a produtora Tami Brito para uma conversa franca sobre os bastidores da criação de conteúdo no ambiente político. Com experiência em campanhas eleitorais e formação em gestão pública, Tami oferece uma visão rara e valiosa sobre o papel do conteúdo na construção de imagem, narrativa e confiança entre candidatos e eleitores.
Logo no início, Tami compartilha sua trajetória profissional, marcada por uma virada inesperada. Embora tenha se formado em gestão pública, seu interesse pela comunicação e pela linguagem audiovisual a levou ao marketing político. No começo, não gostava da rotina de produção os bastidores, o improviso, o trabalho pesado. Mas tudo mudou quando ela percebeu que poderia unir seu conhecimento técnico sobre políticas públicas com estratégias de comunicação, dando mais profundidade e coerência ao conteúdo que produzia.
Essa fusão de áreas tornou-se o diferencial de Tami, que rapidamente ganhou espaço em campanhas políticas, enfrentando desde candidatos iniciantes até estruturas mais complexas. Um dos principais desafios apontados por ela é lidar com o ego e a vaidade não dos eleitores, mas dos próprios políticos. Segundo Tami, muitos candidatos querem aparecer, mas poucos sabem o que realmente desejam comunicar. E esse desalinhamento entre vaidade e propósito é o que, muitas vezes, compromete o trabalho de toda uma equipe de produção.
Ela também aponta um problema recorrente em campanhas políticas: estruturas desorganizadas e linhas de comando confusas. Profissionais muitas vezes precisam responder a várias pessoas ao mesmo tempo, sem clareza de hierarquia ou objetivos estratégicos definidos. Para ela, isso atrasa decisões, causa retrabalho e afeta diretamente a qualidade do conteúdo. Mesmo assim, Tami destaca que esses desafios fazem parte do jogo e que aprender a navegar por eles é essencial para quem quer se destacar no setor.
Um dos pontos mais importantes do episódio é a defesa da paciência como ferramenta estratégica. Tami afirma que campanhas bem-sucedidas não são construídas da noite para o dia. Criar vínculo com o eleitor, consolidar uma imagem pública confiável e estabelecer uma narrativa coerente exige tempo, repetição e consistência. A ansiedade por resultados imediatos é um erro comum entre candidatos e equipes, e saber lidar com essa expectativa é parte fundamental do trabalho do produtor de conteúdo político.
Ao longo da conversa, Tami oferece conselhos valiosos para profissionais aspirantes. Ela defende que nenhuma etapa da trajetória profissional deve ser subestimada. Desde tarefas básicas como segurar uma luz até decisões criativas mais complexas, tudo é aprendizado. Em um relato pessoal, ela conta que as experiências simples no início da carreira a tornaram uma profissional mais completa e preparada para assumir responsabilidades maiores. Essa versatilidade, segundo ela, é o que diferencia quem sobrevive e cresce no mercado da comunicação política.
Tami também compartilha informações sobre seu novo projeto, Marketing com Ela, voltado para a valorização do trabalho de mulheres na área de marketing político. O projeto nasce da sua própria vivência em um ambiente ainda majoritariamente masculino, onde a atuação feminina muitas vezes é invisibilizada. Ela incentiva mulheres a ocuparem espaços estratégicos, liderarem campanhas e se valorizarem profissionalmente.
Para quem quiser acompanhar ou entrar em contato com Tami Brito, ela disponibiliza dois perfis no Instagram: @chamaaatami (pessoal/profissional) e @mktcomela (perfil do projeto Marketing com Ela).
O episódio é, ao mesmo tempo, uma aula de marketing político e um manifesto sobre a importância da escuta, da empatia e do planejamento dentro de um ambiente onde tudo parece urgente. Tami Brito mostra que, por trás de cada vídeo de campanha bem-feito, há muito mais do que roteiro e edição: há estratégia, resiliência e, acima de tudo, a capacidade de transformar vaidade em narrativa — e narrativa em voto.
Assista o episódio completo: https://youtu.be/ZWIgAR-VOEg