No podcast Moqueca de Política, o fotógrafo político mostra como uma boa foto pode dizer mais do que mil discursos
No episódio intitulado “Luz, Câmera, Posicionamento!” do podcast Moqueca de Política, Gilson e Paulo recebem Afonso Fontoura, fotógrafo com mais de uma década de experiência em campanhas e eventos políticos, para uma conversa envolvente sobre a importância estratégica da fotografia na comunicação política. Fontoura revela os bastidores de sua atuação profissional e reforça um ponto central: em política, imagem não é tudo mas é quase.
Logo no início do episódio, Fontoura destaca que a fotografia é um dos pilares da construção da imagem pública de um candidato. Segundo ele, uma boa fotografia de estúdio, autêntica e bem posicionada, pode ter mais impacto do que qualquer slogan. Uma única imagem bem produzida tem o poder de circular amplamente, alimentando redes sociais, materiais gráficos e peças publicitárias, tornando-se muitas vezes a “marca visual” da campanha.
A conversa também mergulha na complexidade do posicionamento visual, explicando como uma imagem transmite mensagens antes mesmo que o eleitor leia uma legenda ou escute um discurso. Fontoura fala sobre a dificuldade de alinhar o desejo do político muitas vezes baseado em vaidade ou insegurança — com aquilo que sua imagem realmente precisa comunicar para o público. Ele usa como exemplo o retrato oficial de Alexandre de Moraes, que, segundo ele, pode ter sofrido com uma leitura errada de imagem e posicionamento. A lição? Não basta estar bonito ou imponente na foto é preciso que a imagem esteja em sintonia com a narrativa política e o perfil do público-alvo.
Um dos dilemas mais comuns enfrentados pelos fotógrafos, segundo Fontoura, é a pressão por uso excessivo de Photoshop. Muitos políticos querem parecer jovens, magros ou sem rugas a ponto de se tornarem irreconhecíveis. Para o fotógrafo, essa tentativa de aperfeiçoamento extremo rompe a conexão com o eleitor, que percebe o distanciamento e falta de autenticidade. Ele defende que a pós-produção deve ser usada com equilíbrio: corrigir imperfeições, sim; apagar a identidade visual e emocional da pessoa, jamais.
O episódio também explora os aspectos técnicos da fotografia política. Afonso fala sobre a importância das cores, das roupas escolhidas, dos ângulos e, sobretudo, da iluminação. A luz, diz ele, comunica emoções: uma iluminação frontal e suave transmite serenidade; luz lateral pode gerar tensão; e sombras duras demais podem afastar o eleitor. Além disso, ele compartilha sua rotina de pós-produção, detalhando como observa a fisionomia e a linguagem corporal do político para garantir que a foto passe uma mensagem de confiança, proximidade e liderança.
Fontoura também dedica parte do episódio a orientar fotógrafos iniciantes e profissionais de comunicação que atuam como “storymakers” aqueles responsáveis por registrar eventos políticos com seus próprios celulares. Seu conselho é direto: é possível começar com pouco, desde que se tenha um olhar treinado e um bom entendimento do que se quer comunicar. Investir em equipamento, entender as configurações do celular e buscar referências visuais são os primeiros passos. Ele ainda alerta para a importância da comunicação entre fotógrafos e videomakers durante eventos, evitando que profissionais atrapalhem uns aos outros ou comprometam o registro de momentos-chave.
Na análise de fotografias políticas reais, Fontoura comenta os estilos de dois grandes nomes da política baiana: Jerônimo e ACM Neto. Para ele, a fotografia de Jerônimo se destaca pelo dinamismo — captando sua presença ativa em comícios e eventos — além de retratos oficiais bem feitos. Já o trabalho visual de ACM Neto, segundo Fontoura, é mais voltado para o estúdio e para o marketing tradicional, com menos foco em engajamento espontâneo.
A reta final do episódio traz uma divertida rodada rápida de perguntas e respostas, onde Fontoura compartilha referências e opiniões sobre o universo da fotografia política. Ele cita o renomado fotógrafo Platon como sua maior inspiração, declara sua preferência por retratos em preto e branco pela atemporalidade e força emocional e aponta os braços cruzados como o erro mais comum em retratos políticos, por transmitirem bloqueio e falta de abertura.
O episódio encerra com um conselho claro e direto: invista em um bom fotógrafo profissional. Em tempos de redes sociais e excesso de informação visual, uma imagem mal construída pode comprometer uma campanha inteira. Afonso reforça que a fotografia não deve ser vista como um item estético secundário, mas como parte estratégica da narrativa política. Afinal, como ele mesmo afirma, “uma boa foto é aquela que te representa antes de você precisar se explicar”.
Para os interessados em conhecer mais do trabalho de Afonso Fontoura ou contratar seus serviços, ele disponibiliza seu contato no Instagram (@AfonsoFontoura) e seu número de telefone no final do episódio. Seu recado, tanto para políticos quanto para profissionais da área, é simples e poderoso: quem se posiciona com verdade, convence com imagem.
Assista o episódio completo: https://youtu.be/NYuo5E2YzAs