O poder dos dados na comunicação política: Lições do podcast “Os dados falam!”

No segundo episódio do podcast “Moqueca de Política”, o estrategista Yuri Almeida conduz uma reflexão profunda sobre o papel dos dados na comunicação política e institucional. A conversa é atravessada por análises de cenários eleitorais, avaliações de gestões, estratégias digitais e os desafios das campanhas no Brasil contemporâneo.

Yuri inicia relatando sua trajetória, iniciada em 2006, marcada por uma virada de chave na compreensão da importância de dados na comunicação. Ele critica a obsessão por métricas de vaidade como curtidas e seguidores, defendendo indicadores mais relevantes como compartilhamentos e sentimento dos comentários. Para ele, campanhas bem-sucedidas nascem de diagnósticos sólidos e testes com antecedência.

Ao longo do episódio, um dos temas centrais é o fracasso da terceira via em eleições recentes. A análise mostra como as polarizações entre Lula e Bolsonaro esvaziam espaços intermediários. A discussão remonta à eleição de 2014, com a morte de Eduardo Campos, o crescimento de Marina Silva e a disseminação de fake news que deslocaram votos. Para Yuri, o deslocamento emocional e a falta de leitura estratégica selaram o destino de candidatos que tentaram surfar fora dos polos.

O case de ACM Neto recebe atenção especial. Sua desistência em 2018, a falta de posicionamento em relação a Bolsonaro, a autodeclaração como negro sem vivência autêutica e a comunicação esporádica são analisadas como erros não apenas comunicacionais, mas sobretudo políticos. Enquanto isso, figuras como Bruno Reis, atual prefeito de Salvador, ganham destaque por manter comunicação constante, propositiva e conectada com as entregas do dia a dia.

No contraponto, a figura de Jerônimo, governador da Bahia, é apresentada como exemplo de comunicação pessoal eficaz. Ainda que seu governo careça de uma “marca” institucional clara, sua presença constante nos municípios, carisma e história pessoal contribuem para uma imagem positiva junto à população. Iuri defende que Jerônimo herda o diálogo de Wagner e a eficiência de Rui, e sua imagem se sobrepõe à estrutura do governo.

O episódio ainda reserva espaço para uma análise da comunicação federal. Yuri critica a estratégia inicial de defesa do governo e elogia a nova diretriz liderada por Sidônio Palmeira, que aposta no diálogo. Um caso simbólico é o do programa “Pé de Meia” de Camilo Santana, inicialmente negligenciado por outro ministério, mas que se consolidou como uma das maiores ações do governo Lula.

O podcast encerra com perguntas diretas: o que é monitoramento real? “Mostrar que os dados são maiores que os dogmas”, responde Yuri. Entre erros de métricas, fake news, emoção e estratégia, a lição é clara: comunicar bem é ler bem os dados e entender as pessoas.

Assista o episódio completo: https://youtu.be/CVcQhmkLkEQ

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